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domingo, 18 de dezembro de 2016

Chrono Trigger envelhece como vinho!

  Do mesmo jeito que Cidadão Kane e Star Wars e Sete Samurais são filmes clássicos que mudaram para sempre o cinema, Chrono Trigger fez o mesmo para a indústria dos vídeo games, criando muitas das convenções dos RPG atuais.

  Chrono Trigger é um jogo que permanece relevante pela força da nostalgia e de seu legado ou pelos seus méritos de um grande jogo, que depois de 20 anos envelheceu muito bem?

Análise do jogo:

Chrono Trigger
Ficha técnica:Genêro: RPG, JRPG
Desenvolvedor: SquareSoft

Data de lançamento: 1995


     Chrono Trigger nunca virou uma franquia como aconteceu com seus irmãos Dragon Quest, e Final Fantasy. E mesmo sendo um jogo muito popular, seus fãs não pedem um remake. Isso é evidência de que o jogo envelheceu bem, ao contrário de Final Fantasy VII, que sofreu por ter sido desenvolvido no começo da geração do PSone.
Chrono Trigger é um jogo muito competente, e para a época foi uma super produção. O Sistema de batalha é por turnos, mas é dinâmico: As batalhas não são estáticas e as habilidades que usam mais de um personagem também enriquecem o sistema de batalha.


   Não se fala em Chrono Trigger sem falar dos personagens. Seu maior triunfo é seu elenco variado e carismático. Eles são desenhados por Akira Toryama, e seu traço é encantador.

Magus (ele está de costas porque é misterioso)
  O jogador tem que escolher entre três por vez para levar em batalha. Mas acabamos usando todos os personagens. Cada personagem tem seu tema e o jogo tem músicas muito bonitas.

  Histórias de viagem no tempo frequentemente são confusas e cheias de furos no roteiro, mas Chrono Trigger quebra essa tendência a medida em que incorpora as viagens no tempo com o desenvolvimento de seus personagens e nunca foge de seu eixo principal: uma batalha através do tempo contra o grande inimigo, Lavos. Mas essa é uma simplificação injusta - o jogador decide onde ir, ou melhor dizendo; o quando quer ir.

  Há muitas aventuras, em cenários diversos e épocas diversas, mas nada é filler, pois sempre oferece um vislumbre numa nuance dos personagens.

  Infelizmente, o jogo foi relançado para o DS e ainda assim não tivemos uma tradução em português brasileiro. A Nintendo não dá duas fodas para os jogadores brasileiros. A versão para Super Nintendo também está disponível no Wii Virtual Console, a loja virtual do Nintendo Wii.

  É um jogo imperdível, e dúvido muito que alguém que tenha parado nessa página nunca tenha jogado Chrono Trigger. Recomendo para quem gosta de JRPG e quem gosta de grandes jogos.

Nota: 
Obrigado por ler!

Até a próxima.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Por que Bloodborne é dificil?

Bloodborne demanda persistência e paciência. Mas tudo isso vale a pena ou o jogo é apenas mais uma variável da fórmula exaustivamente aplicada em Dark Souls, usando ardilosamente a fama de "jogo difícil"?

Análise do jogo:

bloodborne melhor exclusivo do ps4
Bloodborne: The Old Hunters
Desenvolvedor: FromSoftware
Plataforma: PlayStation 4

Temos que tomar um pouco de cuidado com os jogos exclusivos do PS4. Só por que é exclusivo não quer dizer que o jogo merece um "passe-livre". É o que acontece com muita frequência: fanboys (e fangirls) enaltecendo qualquer coisa que a Sony fizer a fim de vencer a "guerra dos consoles".

Mas não tenha apenas a palavra dos fanboys; eu endorso Bloodborne, e afirmo que esse é, certamente, um dos melhores exclusivos do PS4.

Mas você nem me conhece! Você já ia acreditando em mim, sem questionar?

Bom, eu posso provar!

Ok, talvez não provar, mas posso tentar convencê-los falando sobre o que Bloodborne faz de melhor.

Vamos começar pela jogabilidade. Talvez você já tenha ouvido falar que o jogo é difícil.
E não é mentira. Bloodborne é um jogo difícil, que arma em cada esquina armadilhas enfurecedoras contra o jogador. O desafio, no entanto, é bem vindo na era dos games com vidas infinitas e autosaves constantes.

Mas o jogo não é apenas difícil por ser difícil; sua atmosfera também pede que o jogo assim o seja. 

Bloodborne é repelente. Mesmo que não seja classificado como um jogo de terror, o jogo certamente empresta muitos elementos do gênero: recursos escassos, monstruosidades funestas, cenário atmosférico carregado de pesada opressão...

Ou seja: não é apenas sua jogabilidade que é difícil. Sua atmosfera, sua trama e seu cenário não entregam nada de graça ao jogador.

Aliás, se há um motivo pelo qual Bloodborne merece ser lembrado, é pelo seu desenho de cenário. Nas primeiras horas de sua jornada, o jogador explora os mapas mais legais já criados pela FromSoftware:

Do inferno Vitoriano de Yharnam central,  passando pela Grande Catedral até terminar a jornada termina em Byrgenwerth, uma mansão isolada cheia de segredos terríveis, fazemos uma viagem memorável por muitas razões: espaços complexos que interconectados, com inimigos perigosos e uma história desvelando-se lentamente à sua conclusão.

Não apenas o cenário: o som do jogo e o outro grande responsável pela atmosfera opressiva e pelo charme gótico de Bloodborne.

O som do jogo é maravilhoso. Não deixe de jogar Bloodborne com um bom headset no volume máximo!

Uma miríade de horror sonoro enche Yharnam de ameaças: o bramido do vento, o choro inquietante de bebês, os gritos dos aldeões que denunciam suas almas desordenadas.

Para fechar com chave de ouro, o jogo conta com uma ótima expansão!

Realmente vale a pena permanecer mais um pouco em Yharnam e comprar a DLC! 

Um dos grandes êxitos The Old Hunters, a primeira e provavelmente única expansão de Bloodborne, é a maneira com que aproveitou tudo que deu certo na sua estrutura original e ampliou.  

The Old Hunters faz isso primorosamente, sendo um remix magistral de tudo que a FromSoftware sabe fazer melhor, intensificando e mudando tais elementos apenas o suficiente para que os horrores e desafios da DLC continuem novos.

O jogo começa num lugar chamado "O Pesadelo do Caçador". Esse lugar parece ser uma sorte de purgatório para os caçadores de bestas. Uma vez que um caçador tornar-se um selvagem embriagado de sangue, uma força misteriosa os arrasta ao Pesadelo. Dali em diante, você é o desvelador dos segredos desse pesadelo. Assim como no jogo principal, há uma sensação de um titubear sem rumo, afundando cada vez mais fundo num abismo de alteridade Lovecraftiana.

Explorando lugares conhecidos com a face do pesadelo, você vai encontrar bestas que até o caçador mais sanguinário teme. Felizmente você conta com as novas armas, primas mais vis das armas originais.
Concluindo, o jogo é difícil. Mas ele é difícil de uma forma premeditada e que faz sentido. O jogo usa o seu maior medo contra você: o medo de mudança. Quando o jogador acha que conhece o jogo por ter jogado Dark Souls, mas, mesmo para esses jogadores mais experientes, há muitas surpresas. Então pode se preparar para morrer muitas vezes.

Nota:


Obrigado por ler até aqui!

Até a próxima!

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Yoshi's Island deveria ser estudado em faculdades de jogos.

Yoshi's Island é um jogo de plataforma da Nintendo. Um "jogo de pular". Mas a aventura do Yoshi é muito mais do que que aparenta ser...

Da mesma forma que Citizen Kane para os cineastas ou Shakespeare para escritores, Yoshi's Island é uma lição para os desenvolvedores de jogos.


Análise do jogo:
Yoshi's Island

Ficha técnica:
Desenvolvedora: Nintendo
Data de lançamento: 1995
Gênero: plataforma, sidescroller

Super Mario World 2 - Yoshi's Island, foi um dos últimos jogos lançados para o Super Nintendo. Capitaneado por Shigeru Miyamoto e com uma trilha sonora de Kōji Kondō. Apesar do nome, não é em nenhum sentido uma sequência de Super Mario World, funcionando mais como uma prequel no sentido cronológico.

Certamente funciona como uma sequel quando consideramos os avanços técnicos em relação ao jogo anterior.

E do ponto de vista técnico, Yoshi's Island é uma das maiores realizações da Era 16-Bits. O jogo transborda talento, competência e criatividade. Mas é um tipo especial de criatividade: uma criatividade livre e infantil que se torna a alma do jogo.

A jogabilidade, a estética e a história do jogo se fecham num círculo perfeito, complementando umas às outras numa harmonia quase matemática. 
A começar pelas capacidades do Yoshi, com as quais consegue interagir com cada centímetro do cenário.


Quero dizer, é notável que cada um dos níveis deve ter levado muito tempo para ser desenvolvido. 

No jogo anterior Super Mario World, controlávamos o Mario, e os níveis que mais saiam do comum (os níveis que exploravam possibilidades mais engenhosas no desenho de mapa), eram as fases do mundo secreto, o mundo da estrela. Ou seja, as fases mais criativas eram opcionais. 

Yoshi's Island inteiro é o "mundo da estrela" (do ponto de vista criativo). Parece que em todas as fases eles tiveram essa mesma liberdade para ousar e experimentar com coisas novas. 

O jogador deve encarar um desafio diferente praticamente em todas as fases.

Por exemplo, para seguir em frente, pode ser necessário que o Yoshi transforme-se em submarino, carro, trem, helicóptero ou escavadeira! E cada veículo tem características que mudam completamente a dinâmica da fase. Apesar disso, o jogador aprende a dirigir os Yoshis-motorizados de forma intuitiva graças à metrificação precisa dos cenários desenvolvidos pela equipe japonesa.

Além de ter cinco formas, o Yoshi consegue planar por alguns segundos mantendo o botão do pulo apertado. Se analisarmos do ponto de vista do cara que planeja as fases, essa habilidade do Yoshi é uma decisão muito interessante por parte dos responsáveis pelo projeto: a princípio, parece que o poder planar torna o jogo mais fácil - mais sem graça! 

No entanto, planar não "facilita" nenhuma das fases de Yoshi's Island, apenas abre novos planos nos cenários: enquanto a progressão do jogo anterior é horizontal e para a direita, Yoshi's Island permite uma ação para todas as direções. 

Yoshi's Island é o plataformer 2D mais 3D já produzido!

Aos 12 anos, eu era absolutamente fascinado pela criatividade injetada nos chefes, nos cenários animados, nos cenários estáticos, nos desafios... Ao 25 anos, e Yoshi's Island ainda tem o mesmo charme.


O jogo é uma verdadeira obra de arte, e prefere mostrar do que dizer. Inclusive, muito de seu humor vem do seus visuais.

O jogo tem um humor visual e com apelo infantil.
A trilha sonora por sua vez, não é muito variada, com apenas 36 minutos de música.

Isso é pouco para um jogo consideravelmente longo... 

No entanto, a trilha sonora é deliciosa, e logra transmitir uma atmosfera divertida nas fases ao ar livre, ou uma atmosfera de "sombrio-amigável" (se é que isso é possível) nas fases em cavernas.

A trilha sonora é ao mesmo tempo infantil e teatral. Um verdadeiro "show infantil da Broadway".

Parece a trilha sonora extraída da cabeça de uma criança brincando: uma brincadeira que só ela entende, mas é uma aventura grandiosa, colorida e tudo dá certo no final. 

Nota máxima!


Obrigado por ler.


Volte sempre!

sábado, 8 de outubro de 2016

Trailer comentado: Uncharted 4 - A Thief's End Multiplayer

Será que precisávamos de Uncharted 4?

Parece um retrocesso. O jogo que realmente queremos da Naughty Dog é The Last of Us.

Mas na Naughty Dog confiamos, e se os responsáveis pelo jogo optaram por contar novas histórias sobre o mundo de Uncharted, é porque eles acreditam que há território não mapeado para explorar.

Comentando o trailer:

Uncharted 4: A Thief's End (Multiplayer)
Uncharted 4 goes to uncharted territory?

1. Boa tradução?

Sim! Esses jogos têm vindo em português brasileiro!

Tudo bem que os tradutores não têm acesso ao jogo, apenas ao texto, o que resulta numa tradução por vezes bizarra.

Enfim, mesmo que com alguns erros na tradução, isso é ótimo.

2. O fracasso da Naughty Dog

Aprendemos a confiar quase cegamente na Naughty Dog, mas, infelizmente, a empresa já vacilou feio na opção multiplayer, com um histórico de DLCs mal planejados, mal balançeados, etc...

Isso não é exclusividade do Uncharted; todo FPS (First Person Shooter) tenta vender mapas separadamente. 

O problema, é que vender pacotes de mapa, fragmenta a comunidade...

Battlefield 3, por exemplo, vendia mapas de DLC. Nesses mapas só jogavam os melhores jogadores. Afinal, se você chegou a comprar o DLC, é porque você joga com mais frequência, então as partidas lá quase sempre eram desequilibradas. São também, os mapas com menos jogadores, então frequentemente as partidas acabam por falta de jogadores.

Ou seja: a qualidade da partida em mapas comprados nunca é muito boa.

Uncharted 2: Among Thieves foi um bom multiplayer, mas sofreu com esse problema dos mapas compráveis.

Como pouca gente tinha o DLC, o jogo conectava pessoas muito distantes uma das outras, resultando em partidas com conexão muito instável. 

Eles perceberam esse problema, e tentaram consertar isso, disponibilizando os mapas gratuitamente. Mesmo assim ninguém gostava de jogar nesses mapas porque estavam muito acostumados com o mapa clássico.

3. O diferencial de seus multiplayer

Among Thieves acumulou jogadores fiéis com um multiplayer deliciosamente insano. Diferentemente do FPS  tradicional, você podia macaquear pelo mapa, atirar sem mirar, explodir os inimigos e tudo o mais. 

Com sua câmera em terceira pessoa, Among Thieves tirava o "F" de FPS (e relativizava a importância do "S"). Claro, atirar ainda era importante, mas era um multiplayer competitivo que incentivava o jogador a navegar no mapa estrategicamente. 

Puxar um jogador e jogá-lo num precipício, em Uncharted, é tão satisfatório quanto um matar alguém com um headshot na cabeça.

4. Um multiplayer ruim...

Aí veio Uncharted 3: Drake's Deception. 

Ou como gostavam de dizer em fóruns brasileiros: a "decepção de Drake" (nesse contexto significa engano, fraude, etc). 

Enfim, o multiplayer do terceiro jogo da série sofria problemas graves com sua jogabilidade. 

5. ...e um bom.

E finalmente, veio The Last of Us, sucesso de crítica com seu single-player.  Esse jogo conta com um ótimo multiplayer, que tem sido largamente ignorado. 

Com The Last of us, a Naughty Dog tentou contornar o problema dos mapas com um season pass, que incluía um ótimo DLC single-player: Left Behind.

Além de Left Behind, o season pass oferecia dois pacotes de mapas. É uma proposta muito mais atrativa, e apesar de ter vendido muito mais que os mapas de seus jogos anteriores, The Last of Us ainda sofreu com uma comunidade fragmentada em dois pacotes de mapas.

Jogar o multiplayer dos mapas exclusivos em The Last era impossível.  

Sério.

Impossível.

A conexão era péssima e os jogadores de lá não têm nenhum espírito esportivo.

Na versão para PS4, tivemos a versão remasterizada do multiplayer e unificaram todos os mapas numa única lista de jogadores. 

Mas quando a votação aparece, quase sempre, todo mundo vota nos velhos conhecidos. 

Mesmo de graça, ninguém quer jogar nos mapas de DLC...

6. Concluindo...

Com o beta do Uncharted 4, temos uma jogabilidade muito melhor que a de Drake's Deception. 

Mas o jogo conta com apenas 5 mapas, e parece que repetiremos a novela dos DLCs obsoletos.

uncharted multijogador

Nathan Drake não é apenas uma Lara Croft sem peitos, e provou no PS3 ser um grande personagem. Por isso, concluo que vale a pena jogar Uncharted 4 e descobrir mais um grande jogo da Naughty Dog.

Mesmo que o multiplayer não seja o melhor...

Obrigado por ler.

Abraços.