domingo, 13 de novembro de 2016

1984 é um livro provocante e perturbador...

O livro 1984, de George Orwell foi uma excelente leitura. Embora eu não tenha maturidade intelectual para fazer uma análise aprofundada do livro, não pude deixar de escrever sobre a magna opera do autor britânico.

ANÁLISE DO LIVRO:

1984
 

Ano: 2009 / Páginas: 416
Idioma: português 
Editora: Companhia das Letras
ISBN-13: 9788535914849
ISBN-10: 8535914846
Ano: 2009 / Páginas: 416
Idioma: português
Editora: Companhia das Letras

Você já se perguntou o porquê do livro se chamar 1984? Se o título fosse “Grande Irmão”, não seria mais representativo do livro? Afinal, como reflete o protagonista, talvez nem seja realmente 1984. No entanto, até mesmo o título nos faz pensar: realmente há algo de errado com aquela utopia, se o partido consegue controlar toda a história de Oceania ao ponto de que até o ano é incerto. Mesmo que não tenha sido intencional, essa incerteza se projeta no leitor, pois uma vez que não sabemos o ano de fato, pode ser qualquer ano (pode ser 2015!)


Um aspecto negativo em minha opinião, é que o livro se repete um pouco descrevendo o cenário sociopolítico do país de forma expositiva e didática. Inclusive, um dos capítulos é literalmente um livro dentro do livro. Ao mesmo tempo, é a construção minuciosa desse cenário que confere o peso à história. 

O livro poderia ser classificado no gênero horror!

Acontecem coisas TERRÍVEIS com os personagens. Fiquei surpreso, pois não esperava a quantidade de violência descrita de forma tão eficaz e gráfica em um livro, que se tem como clássico absoluto escrito no final da conservadora década de 40.



O impacto da obra

Embora a mensagem anticomunismo não tenha a mesma valia hoje, a obra ainda é muito atual, pois é um conto de cautela sobre o controle que exercem sobre nós sem que nós percebamos e descreve um mundo onde são privados de liberdades básicas. Funciona de tal maneira o livro, que quando vemos as resenhas, comentários, discussões e listas na internet, sempre comentam sobre os paralelos do livro com a realidade de seu país. 

Diário de Winston no Brasil de 1984. 

Vivem dizendo que não há interesse do governo em tornar o povo sabido, mas não fazem nada em relação ao cenário da educação brasileira, que caminha para a falência. 
Na internet, tudo que buscamos é rastreado e volta para nós com sugestões de compras ou links. Privacidade zero! Temos o Xbox One, também conhecido como o protótipo da teletela. 

Um sujeito do livro chamado 1984, diz que qualquer reivindicação da classe baixa, qualquer revolta que fizessem (mas nunca fariam!), teria vida curta, pois não teria foco nem motivo de ser, devido a falta de informação dos manifestantes. Engraçado que é exatamente isso que falavam quando aconteceu as manifestações de 2013! Outra coisa estranha é como os presidentes nos servem mais como um rosto, um "Grande Irmão". Na época de eleição sempre se discute política: "Olha, não entendo muito, mas voto pela mudança". Votam baseando-se no rosto do candidato e não nas no plano de governo.

Bom, além do envolvimento da mídia na política, influencia também no resto: depois de sete novelas durante o dia (departamento da ficção), vem o comercial, com uma loiraça divulgando a cerveja e depois vem mais uma novela, que se aproveita do medo do desconhecido e reforça os estereótipos de homossexuais e outras minorias. Se acontecer um crime de ódio é um bom motivo para a mídia armar um circo né? Depois vem o BBB com o pessoal semi-nu na piscina.e funciona como o nosso equivalente da "pornosec", que nos deixa obcecados com o sexo e ao mesmo tempo com vergonha. Se acontecer um estupro, aproveita-se! mais uma desculpa para fazer uma história no jornal e esquecermos um pouco do saqueamento dos recursos públicos. Se o gigante acordar de novo, no fim vai dar tudo certo. Nós amamos o Big Brother (Brasil).

Nota final: 10

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

O Último Reino

Pegando carona com Game of Thrones, a série "ACrônicas Saxônicas ganharam" ganhou uma versão adaptada para a TV. Sempre fui fã de Bernard Cornwell, e com a adaptação vindo aí, decidi finalmente tomar vergonha na cara e ler os livros.

Análise do livro:

                              O Ùltimo Reino


Ficha técnica:
O Último Reino
Da série "Crônicas Saxônicas" # 1
Ano: 2006 / Páginas: 364
Idioma: português
Editora: Grupo Editorial Record


Bernard Cornwell, autor consagrado de romances históricos logra em descrever ricamente imagens do período histórico representado em O Último Reino. No ano de 871, uma Inglaterra fragilizada pelas invasões dinamarquesas, mantém o que resta de seu território graças à atuação militar de Rei Alfredo, único monarca da história inglesa a receber a honra de ser chamado de "o Grande". Uma narrativa rica em detalhes surge de registros históricos da vida do Rei Alfredo, o Grande, mas Cornwell emplumou fartamente os entremeios dos grandes acontecimentos com licença poética, como devem fazer os romancistas históricos.  

Típico vilarejo do século VIII
Mas quem está no centro da história não Alfredo, mas sim o personagem fictício Uhtred, narrador que desvela ao longo das crônicas os golpes que sofre do destino. 

Um grandes triunfos do estilo Cornwelliano é a fluidez de suas narrativas, cobrindo grandes períodos de tempo em poucas páginas e pausando oportunamente para descrever momento por momento as grandes batalhas ou momentos importantes da vida cotidiana. É um deleite ler as descrições das batalhas, de festins e salões medievais.

O júbilo! O júbilo da espada. Eu estava dançando de júbilo, a alegria fervilhando dentro de mim, o júbilo da batalha do qual Ragnar falava com tanta freqüência, o júbilo do guerreiro. Se um homem não o conheceu não é homem.  

Um dos eixos temáticos das Crônicas Saxônicas é a fé. De um lado temos os deuses nórdicos, do outro a mitologia cristã. Uhtred está no centro dessa temática, enfrentando um conflito de identidade cultural: ele é um inglês patriota, mas carrega consigo o amuleto de Tor, desprezando a religião cristã. 

Parede de escudos!
Uhtred está no centro, mas não é o único personagem importante: Ragnar, Rorik, Sigrid e Thyra compõe sua família adotiva, assim como Brida, uma das minhas favoritas. Brida fala pouco, mas é feroz e inteligente. 

Apesar de tantos conflitos, o ponto de vista do autor é neutro: se Uhtred está do lado dinamarquês eu torço por eles, se ele está do lado inglês eu torço por eles. Do lado inglês, o protagonista também encontra uma família; uma esposa, um filho, estabelecendo assim, um coração partido em dois lados do conflito e as peças dessa maneira, são posicionadas para o quê tenho certeza, será uma ótima sequência em O Cavaleiro da Morte.

Nota final: 10
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Bernard Cornwell é um dos meus autores favoritos, e pretendo escrever mais sobre o autor.

So, Stay tuned!

Cheers!

Leia as outras resenhas d'As Crônicas Saxônicas:

O último reino
O Cavaleiro da morte
Os senhores do norte (em breve)

terça-feira, 8 de novembro de 2016

A postagem da reclamação.

Quem nunca reclamou que atire a primeira pedra naquela menina saindo do terreiro de candomblé.

Reclamar faz tão bem!

Porque não fazer uma postagem dedicada a reclamar?

1 - Qual é a desse Jack Black? Porque ele não morre? É para esse cara ser engraçado?

"Ah, mas Escola de Rock..."

Cala boca escola de rock. O carisma desse filme não está no Jack Black, está todo no elenco infantil.

Eu francamente não entendo como esse cara faz sucesso. Ele só não é mais sem graça que o The Noite, com  Danillo Gentilli.

Silvio Santos, tu que és um homem de negócios tão inteligente: manda esse cara embora!

Mah oe, fica a dica!

2 - Realidade aumentada?

Pokémon Go? Ah, vão arrumar o que fazer!

Eu nem comprei um celular decente nem aderi à internet móvel e já estão me falando em realidade aumentada? 

Vão mais devagar, please.


E saiam do meu gramado! Hashtag ficando velho.

3 - Poderia passar essa febre de League of Legends, hein?

Que o passa-tempo de tantos jovens se limite a esse joguete só não me entristece mais que os atentados terroristas em Paris.

E tem muito mais!

Mas eu to cansado, essa terceira idade adiantada é outra coisa que me deixa puto viu!

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Jogos Vorazes - Best Sellers podem ser bons livros

Preconceito literário não tá com nada. Eu descobri isso quando li Jogos Vorazes, o primeiro volume da trilogia distópica de Suzanne Collins.

Como Jogos Vorazes conseguiu quebrar esse preconceito literário que eu tinha?

Descubra na análise do livro:

Jogos Vorazes
Ficha Técnica:
Ano: 2010 / Páginas: 400
Idioma: português 
Editora: Rocco

Com a ascensão comercial dos livros da série Jogos Vorazes, meu preconceito literário com a série só aumentava, pois eu a associava com Crepúsculo - o livro mais odiado da década passada - por conta de comentários que via sobre a narrativa de Suzanne Collins: comentários de garotas que estavam investidas no triângulo amoroso ou de caras reclamando que faltava violência no livro. Eu como amante da violência gratuita, decidi que odiava a série, assim como odeio a "Saga" Crepúsculo. Mas o mundo dá voltas, e quando eu decidi dar uma chance de verdade para Jogos Vorazes (por causa da Jennifer Lawrence) descobri, para minha surpresa, que o filme é uma distopia audaciosa e competente.

Descobri que o tal evento homônimo do titulo, os Jogos Vorazes, embora pareça muito com Battle Royale,  é apenas uma camada da distopia complexa criada por Collins. Os Jogos Vorazes tem muito mais gravidade, uma conotação muito mais perversa que a premissa Battle Royale. Os Jogos são um instrumento de opressão cínico, que consiste numa "colheita" anual, em que 24 crianças são "Ceifadas" de cada um dos 12 distritos, as regiões pobres do país que um dia foi chamado de Estados Unidos. São escolhidas aleatoriamente, só que o termo "ceifadas" é muito apropriado, pois uma vez sorteados, eles devem lutar até a morte. O último que resta vivo é poupado e recebe honrarias e prêmios para si e seu distrito. Só que a pior parte disso tudo são os espectadores desses Jogos. Como a boa distopia que a série de livros provou ser, os cidadãos de Panem são poupados dos jogos e são os telespectadores do grande evento: os Jogos Vorazes, uma espécie de mistura de reality show, Battle Royale, arenas da roma antiga e olimpíadas.


O antagonista de Jogos Vorazes não são os tributos que caçam Katniss, mas sim a sociedade de Paneem.

Jogos Vorazes assemelha-se nesse aspecto, a um filme de terror; só que ao invés de um Freddy Krueger, o "monstro" é a sociedade de Paneem. Descobri então, que o livro é rico em ironia, crítica social e cheio de motes temáticos. Os Jogos, por exemplo, funcionam como uma metalinguagem tão perfeita que é assustador: euesperava que o livro, no fim das contas, me surpreendesse com violência entre menores de idade. Eu comecei o livro querendo violência, veja só a ironia. E o romance também não é o que parece. Collins parece usar o triângulo amoroso da mesma forma que usaram o "cavalo de troia", convidando leitoras incautas com o triângulo amoroso, e quando percebem, na verdade estão lendo uma história de violência física e psicológica de uma ditadura contra jovens numa distopia moralmente distorcida. O tal do triângulo amoroso, na verdade, serve para a autora, como uma força motriz para desencadear uma série de eventos que tornarão a protagonista o centro de uma série de complicações nos livros seguintes. Também serve aos protagonistas, como uma ferramenta para sobreviver, pois ao agradar o público com um romance inventado, eles melhoram suas chances nos Jogos. Outros tributos, por exemplo, para ganhar vantagens, proporcionam entretenimento ao telespectador fazendo um "espetáculo" ao matar outros jogadores, garantindo assim, o patrocínio dos telespectadores. No caso dos protagonistas, sua armas para ganhar suprimentos é a relação inventada (não tão inventada por uma das partes). Afinal, é tudo que queremos, não é? Romance e violência. 

Não somos tão diferentes dos cidadãos de Paneem...

Nota:


Quem te viu, quem te vê! No fim das contas escrevi uma postagem recomendando o livro, se é que você já não leu!

Por hoje é só pessoal!

sábado, 5 de novembro de 2016

Star Wars - O Despertar da Nostalgia

Testemunhe, o glorioso retorno de Star Wars. Mas será que o novo filme depende muito do legado da trilogia original?
Análise do filme:

Star Wars - Despertar da Força



            
Há muito tempo atrás, numa década muito, muito distante...

Um filme fez história.

Mais de 30 anos depois, criou-se enorme expectativa para o glorioso retorno de Star Wars.

Com a recepção ruim que a nova trilogia teve, o filme dirigido por J. J. Abrams surpreendentemente atendeu às expectativas dos fãs mais xiitas. 

Razão de seu êxito? 

Ele não fez apostas; usou os elementos que sabia comprovadamente que funcionariam. 

Eles sabiam o que nós queríamos ver.

A caixa de som explode com o maravilhoso tema de John Williams direto de 1983, o tapetão com as letras amarelas sobe pela tela e somos crianças de novo.  O mercado da nostalgia é muito lucrativo. E  Abrams quer agradar os fãs e seus suseranos da Disney. Para isso, com o fim de reproduzir a mágica dos filmes originais, pega emprestado muitos elementos de Star Wars: episódio IV: Uma Nova Esperança (1989).

Não fiquei no cinema para assistir aos créditos, mas muito provavelmente estavam creditados ali a equipe do "Departamento de nostalgia".

Por depender tanto da trilogia original, Despertar é largamente acusado de não ser uma continuação, mas um remake.

As naves voando no espaço. Um ataque a um vilarejo e um robô-mascote (logo logo, nas melhores lojas de brinquedos) com informações importantes vagando no deserto. Tudo é muito familiar.

Em seguida, a câmera muda de núcleo narrativo para nos apresentar a nova protagonista: uma sucateira chamada Rey (Daisy Ridley). Suas vestes parecem as do protagonista anterior, Luke Skywalker, que também morava num planeta isolado até se envolver com os os rebeldes e o resto é história. 

As semelhanças não param por aí: nos dois filmes alguém é capturado, levando a uma missão de resgate, na qual a figura mentora do protagonista morre (mesmo assim os heróis logram em destruir a arma apocalíptica do antagonista. 

Enfim, há muitos ecos da trama de Esperança em Despertar...

Mas o que é entendido como uma repetição, também pode ser interpretado como proposital: ecos temáticos são outra característica clássica da saga, afinal Star Wars antes de ser sci-fi, é primordialmente uma história arturiana, uma história do bem contra o mal. 

E o destino nessas histórias é tudo. 

Talvez possamos encarar essas histórias que se repetem como a natureza cíclica da Força. Em qualquer outra opera espacial, numa galáxia muito, muito distante, esses tropos se repetem: um herói corruptível, que talvez tenha redenção. Pais obrigados a abandonar os filhos. O mestre traído. O herói que sofre mutilação do corpo, sua provação física e mental (cuidado Rey, para não perder a mão no episódio VIII!!!).

Pode ser um eco temático, mas é também uma piscadela para os fãs. O filme usa isso a seu favor quando os personagens principais "fãs" de Han Solo, Luke e Leia. O Despertar é um filme sobre legado e os novos personagens são o meio pelo qual a nova trilogia* da franquia começa a caminhar com as próprias pernas.

*Eu digo "nova trilogia", mas aposto 10 batatas rechadas que será uma trilogia de quatro filmes, seguindo a tendência Harry Potter de O Último Filme da Saga, Parte I e II, para maximizar a renda com bilheteria.

Parte VII, felizmente, com todos os retornos aos  episódios anteriores, traz um elenco novo competente com personagens carismáticos e diálogo ágil. Os novos personagens são a força motriz da narrativa, e a tripulação original da Millenium Falcon está lá apenas para passar a tocha para o pessoal novo: Dameron Poe, o melhor piloto da aliança e um stormtrooper vira-casaca chamado Finn. 

E então temos Rey. O protagonismo feminino não é novidade do episódio VII, pois Star Wars tem um histórico sólido de mulheres que fogem dos tropos de "dama em perigo". Leia, por exemplo, é uma princesa, mas nunca precisou de resgate, sabendo usar muito bem armas de laser e nunca se acovardou diante de inimigo nenhum, assim como sua filha Padmé, que conquistou de volta seu palácio numa manobra militar da qual participou nas linhas de frente. 

A jornada do herói recomeça, dessa vez com Rey.
No entanto, Rey, diferente das deuteragonistas anteriores (Leia e Padmé), não está à margem do protagonista principal (Luke e Anakin) e não é apenas uma versão feminina dos protagonistas de Luke ou Anakin. Idos estão os dias do biquini de metal de Leia e o top curtinho de Padmé. A nova protagonista usa suas roupas pela praticidade. Ela não precisa de resgate (Finn tentou, mas chegou tarde)  e é um deleite testemunhar o despertar da força em Rey. Nos próximos filmes, teremos o inevitável romance, mas quem será chamado de "interesse romântico" não será ela, e sim (presumivelmente) Finn. 


Stop trying to make Poe + Fin happen. It's not gonna happen!
Rey é a protagonista feminina durona que funciona, e acho que sei o motivo: Abrams se envolveu brevemente com Legend of Korra, seriado animado assumidamente feminista, por isso, talvez não seja conhecidência que há muito de Korra em Rey.

Concluindo, acho que é muito lógico: para reacender a magia de Star Wars valeram-se do legado deixado por George Lucas, mas a base sólida estabelecida em Despertar oportuniza à equipe da nova trilogia, nos próximos episódios, contar novas histórias daquela galáxia muito, muito distante.

Nota final: 10 batatas!

Obrigado por ler.

Que a força esteja com você!

Até a próxima.

Gênero textual: crônicas (Parte I)

O Conto entra no bar e vê a Notícia sentada sozinha e abatida - ninguém queria ler aquela notícia, por mais que ela fosse importante. O Conto decide conversar com ela, os dois se dão bem e se casam. Mais tarde eles têm uma filha...

Essa filha era a Crônica.

Essa personificação dos gêneros textuais é pertinente, pois a crônica é um gênero híbrido, tendo características de vários tipos de texto.

Até aí tudo bem...

O problema é que isso causa muita confusão quando pedimos aos alunos que escrevam uma crônica. Na produção inicial, o resultado mais depende dos exemplos: se as crônicas usadas como exemplos forem muito pessoais, os alunos escrevem um relato de memórias. Se o professor usar crônicas líricas, o texto dos alunos se aproxima demasiadamente do conto.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Tibia, o melhor pior jogo.

Antes da  mobas, os MMOs dominavam o mercado: antes de League of Legends, antes de dota, tivemos Tibia e Ragnarok Online...

Ahhh, o Tibia... 

O jogo teve seu momento! Foi mais ou menos entre 2002 e 2010.

Em vez de dormir, esperávamos dar meia noite (internet discada só depois da meia noite). A alternativa seria jogar sábado depois das 14h, mas nesse caso teríamos que enfrentar uma lista de espera enorme. Principalmente se você jogasse em servidores mais populares, como Calmera ou Luminera. 

E quando você finalmente conseguia logar, não tinha nem espaço no depot de tanta gente online

Se você comprasse uma Premium account seus problemas se resolviam. A "premmy" era praticamente obrigatória.

O jogo fazia sucesso, mas  esse sucesso não era mérito da Cipsoft. Aliás, seu sucesso foi completamente acidental, sendo "descoberto" pelos jogadores brasileiros, que adotaram o jogo por que sim.

O jogo tinha seu charme, mas era um charme "não intencional".

Anos depois, Tibia sofreu a morte mais terrível para um MMO: a falta de jogadores.

Ah, mas no seu auge foi grandioso, mesmo sendo um jogo cheio de problemas.


A começar pelos gráficos: Tibia é um jogo que já nasceu desatualizado. Aqueles que não jogavam,criticavam o jogo pelo gráfico ruim, no que os tibianos corriam em defesa, argumentando que o gráfico é bom para a proposta do jogo, entre outras baboseiras.

Eu concordo que o gráfico é apenas mais um dos muitos aspectos de um jogo, mas há uma diferença entre gráfico datado e gráfico feio.  O gráfico do Tibia não é ruim porque é datado, mas porque é mal desenhado e pouco inspirado, além dos movimentos constrangedores e pouco fluidos com uma frame rate péssima. Tibia é um jogo de baixo orçamento, e isso se mostra desde as artes conceituais até o resultado final:

Meu argumento é a imagem, nem preciso falar mais nada.
E o pior é que se eu escrevesse este artigo quando o jogo estivesse em seu auge, eu seria apedrejado pelos tibianos:

"O que importa é a jogabilidade e não os gráficos!"

jogabilidade  do Tibia tem muitos problemas e o equilíbrio entre as classes do jogo sempre foi um cancêr sem cura.


A trilha sonora do jogo até que se salva... POR QUE TIBIA NÃO TEM TRILHA SONORA. Eles sabiam que se tentassem adicionar som falhariam miseravelmente. Então ao menos tiveram a decência de nem tentar.

Ao menos me serviu para conhecer muitas bandas que ouvia enquanto jogava... Rhapsody of Fire, Nightwish,Therion, Avantasia, Epica, Haggard, Iron Maiden, King Diamond, Judas Priest...

Não se fala em Tibia sem falarmos da comunidade, que pode ser usado a favor do jogo ou contra. Opto pela segunda opção: os servidores do jogo estão cheios de ladrões, trapaceiros e babacas. 

Se você cumprimentar alguém pode acontecer uma das seguintes alternativas:

- Ele não vai te responder por que é um bot jogando por ele.

- Ele vai fazer um comentário xenofóbico e vai dizer que o respawn é "dele".

- Ele não vai responder por que a internet caiu.


- Ele vai tentar te matar.


- Ele vai te dar "crew" e roubar seus itens.


- Ele vai te responder com um link para tentar te hackear.

Realmente, um dos grandes motivos pela febre do Tibia foi o elemento online do jogo.

Esse joguete safado foi uma espécie de percursor das redes sociais. Todo mundo na escola jogava Tibia, e em vez de ir caçar, as turminhas se reuniam em Carlin, Thais ou Venore (ou Khazordoon para as diferentonas) e ficava conversando. Era a alternativa nerd ao Orkut, que já estava sendo invadido pelas tias e pela "galerinha popular".

Aliás, sabia que Tibia ganhou um trailer, depois de 20 anos? e olha só que pertinente um dos comentários que encontrei nessa notícia:




Esse cara falou tudo que eu queria falar em apenas um parágrafo.

Tibia foi forte no Brasil por ser um santuário dos nerds. Então fazíamos vista grossa para as suas inúmeras fraquezas e "upávamos" que nem condenados.

Evidência disso são os jogadores que se aposentam do Tibia com uma atitude muito diferente da que tinham quando começaram:


"Porque joguei isso tanto tempo?"



"Esse jogo é uma merda, mas eu gostava."



"É um jogo ridículo, mas aprendi um pouco de inglês pelo menos."


Eu tenho o mesmo ressentimento. 


Tinha amizades dentro do jogo, mas o bom não compensa pelo ruim. 

Tudo isso é recalque, e ninguém vai ler em 2015 um desabafo de um ex-tibiano. Porque Tibia está morto e enterrado.


Bônus:


Algumas fotos do flogão do meu primeiro personagem:



Jogo tibia, mato dragão, Fica comigo, sim ou não?


O auge do Tibia também foi o auge do MS Paint. Coincidência?
Nota final: ZERO

Ex-tibiano, você também se sente assim? Comente!

Vou aproveitar que cheguei numa protection zone e deslogar 

flw!! *poof* 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Como Harry Potter e a Pedra Filosofal abriu caminhos para o resto da série?

Harry Potter é conhecido como "a porta de entrada para drogas mais pesadas" do mundo dos livros.  Quantas vezes você já não ouviu alguém dizendo que o primeiro livro foi Harry Potter? Por isso, querendo ou não, A Pedra Filosofal funciona como o responsável por atrair os leitores para ler o resto da série.

Como exatamente J. K. Rowling conseguiu fisgar milhões de leitores ao redor do mundo?

Eu tenho algumas hipóteses.

Vamos à análise!

Análise do livro:


Ficha técnica:
Ano: 2000 / Páginas: 263
Idioma: português 
Editora: Rocco


As primeiras linhas do livro nos contam sobre a família Dursley, da rua dos Alfeneiros nº. 4, que se orgulhavam de dizer que eram perfeitamente normais, muito bem, obrigado. No entanto, lá vive também Harry Potter, que é tudo menos ordinário. O Sr. e a Sra. Dursley têm a guarda de Harry e o tratam como um segredo sujo, escondendo o menino que sobreviveu num porão debaixo da escada, dispensando apenas os cuidados absolutamente necessários.


"Harry estava acostumado com aranhas, porque o armário sob a escada vivia cheio delas e era ali que ele dormia."


Antes que alguém denunciasse os Dursley ao conselho tutelar (porque é isso que eventualmente aconteceria, né?), Harry recebe a carta de Hogwarts, e descobre a existência do mundo bruxo. 



Desde essa descoberta, a violência que Harry sofria na casa do Sr. Dursley se torna trivial frente às novas ameaças que ele encontra ali. Apesar disso, é no mundo bruxo que Harry sente-se feliz.



A princípio tudo é novidade para Harry, um verdadeiro peixe fora d'água. Sua reação quando Hagrid lhe dá a notícia diz muito sobre o Harry que vivia com os trouxas:



- Você é um bruxo Harry. 

- Eu, eu sou o que? 

- Um bruxo, e vai ser um bruxo de primeira se tiver treinado um pouco. 

- Não, o senhor se enganou. Sabe, eu não posso ser um, um bruxo. Eu, sou o Harry, só Harry.

No mundo bruxo, Harry finalmente é ouvido. Finalmente faz amigos! Finalmente encontra uma família! Ele é adotado pela família Weasley logo que os conhece durante o embarque na plataforma 9 e ½, e a partir de então, na companhia de Ron, nós, que estávamos lendo o livro pela primeira vez na década de 90, descobríamos o mundo junto com Harry. 

Pois é, todo o leitor brinca que espera até hoje o recebimento da carta, mas de certa forma, todos nós recebemos a carta junto com Harry, conhecendo pela primeira vez o mundo e os personagens lendo Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Aliás, criar um mundo desse jeito não é tão fácil quanto parece. Os mundos fantásticos dos livros sempre correm o risco de serem confusos ou chatos, mas o grande êxito de J. K. Rowling ao botar no papel seu universo fantástico, foi contextualizá-lo num ambiente muito familiar: a escola. A escola é o lugar onde seus jovens leitores passam tantas horas de suas infâncias. Colocar seu mundo mágico dentro desse contexto, facilita para nós, leitores, relacionarmos nossas próprias experiências escolares com as daqueles dos alunos de Hogwarts.

Em Hogwarts é tudo muito familiar e muito estranho ao mesmo tempo: 



Temos aquele professor velho pra caramba, que dá a aula mais chata. No caso de Hogwarts, é o Sr. Binns, professor de História da Magia. 

Detalhe: ele é um fantasma. Harry se impressiona com o fato, mas logo se acostuma com a novidade de ter um professor fantasma, e vê a aula pelo o que ela realmente é: um sonífero.



Temos o também aquele professor severo que pega no pé de um aluno em especial, e parece que ele sempre sabe o quê você está pensando. No caso de Snape, ele sabe, afinal, descobrimos no sexto livro que ele é capaz de ler mentes.


Rowling escreve professores que existem em qualquer escola: trouxa ou bruxa. Mas adiciona sua magia para encantar seus leitores. 

E parece que deu certo, pois todo leitor mais jovem sonhava em estudar em Hogwarts.

Realmente, é engraçado como tudo que envolve a rotina escolar tem um equivalente em Harry Potter. Bom, só faltou o clássico "Professor, pra quê eu vou usar isso?''.

Pra matar comensais da morte daqui a seis livros, querida.

Mas não é só de um universo fantástico que se fez o sucesso de A Pedra Filosofal: a autora faz um universo alternativo cativante, mas um universo em que nada acontece não é muito interessante, não é mesmo? Por isso, no primeiro livro, ela faz um malabarismo com a introdução do universo, os seus personagens e uma história cheia de reviravoltas. Felizmente, J. K. Rowling, é uma ótima "malabarista" e inicia já no primeiro livro sua tradição de brincar com o gênero mistério.

Ao longo do livro, há muitas cenas na trama que parecem ser acontecimentos separados, pouco importantes e sem relação uns com os outros. Mas descobrimos mais tarde que fazia parte de uma trama maior. O capítulo em que ocorre o ataque do trasgo, por exemplo, parece servir apenas para introduzir a personagem da Hermione (dada como uma amizade forjada em batalha!). No entanto, no  final do livro tudo se conecta: o ataque do trasgo fazia parte de um plano maior, e a autora recompensa o leitor atento que vai juntando essas peças, revelando no final o grande mistério. Mas nunca é previsível! Rowling aprendeu uma lição ou duas com Agatha Christie, e sempre consegue nos despistar (Quem é que suspeitaria do professor gago? Ele é inofensivo!).

São esses mistérios que nos fazem voltar para ler os livros seguintes. No capítulo sobre o espelho de Osejed, por exemplo, ocorre uma das reviravoltas mais interessantes, que é o momento em que percebemos o que significa espelho de Osejed:

"Oh!!! Ao contrário significa espelho do desejo! Como nao percebi!"


Essa não é apenas uma reviravolta barata. É um capítulo que contribui para o desenvolvimento dos personagens e serve para abordar uma das principais temáticas da série: a morte. Harry descobre o espelho dos desejos e fica "viciado" em ver sua família. É de quebrar o coração. Mas Dumbledore alerta:
Não vale apena mergulhar nos sonhos e esquecer de viver.
Quando questionado por Harry, Dumbledore diz que vê no espelho um par de meias. 

Mas nos últimos livros descobrimos o que ele realmente vê. 

😭
Aliás, a tradução exepcional e as ilustrações da capa com certeza fizeram sua parte para popularizar o livro aqui no Brasil. A tradução nunca substitui o original, e perde algumas oportunidades: O capítulo "No alçapão" foi traduzido como Through the Trapdoor, que no título original é uma menção ao clássico da literatura inglesa Alice no País das Maravilhas. Harry cai pelo alçapão para uma seção escondida de Hogwarts e enfrenta um perigo mortal. Mas para Harry, vale a pena, para salvar Hogwarts e voltar lá ano que vem.


Harry Potter Livros gif


Harry Potter e a Pedra Filosofal começou a tendência de "sagas" no novo milênio, mas tendo marcado duas gerações ao redor do mundo, Harry potter tem força para continuar nos nossos corações, enquanto outras são esquecidas pouco tempo depois.

Nós sempre voltamos para Hogwarts.



Por hoje é só, pessoal!

Aliás, é muito fácil achar o livro. Qualquer biblioteca ou site de downloads de livros disponibiliza o livro de graça!

Se gostaram do texto, deixem um comentário! É fácil: não precisa nem digitar captcha.

Até mais! Espero que tenham gostado da análise e lembrem-se:

É Leviosa, e não Leviosá!